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Atualizado em 14/06/2012 às 08:37:02


Sem a família italiana, que fazia o papel do Estado, cresce o número de sem teto

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» Voluntários da Cruz Vermelha chegam à frente da Bolsa de Valores de Milão para atender aos sem teto

Um novo grupo de pessoas está sentindo as dores provocadas pela crise econômica europeia de modo intenso: homens separados e divorciados que acabam cheios de dívidas – ou até mesmo nas ruas – enquanto lutam para se sustentar e pagar a pensão alimentícia.

É difícil medir ao certo quantos pais se encontram em tais dificuldades, e embora o número não seja extremamente alto, trata-se de uma parcela crescente da população, principalmente no abalado sul da Europa, segundo pesquisadores, assistentes sociais e estatísticas do governo.
É possível que o fenômeno seja mais agudo na Itália. Lá, ele reflete uma combinação de forças, à medida que a crise econômica, que já dura quatro anos, encontra o desgaste constante da rede de previdência social e a lenta implosão da família.

Para alguns pais separados, o fardo se torna insuportável quando eles se veem desempregados e incapazes de sustentar os filhos, que, diante das sombrias perspectivas econômicas, permanecem dependentes do sustento familiar na vida adulta.
"Não se pode menosprezar o apoio que as famílias italianas costumavam oferecer", que substituía, basicamente, o Estado de bem-estar social, disse Alberto Bruno, comissário provincial da Cruz Vermelha Italiana em Milão. Seus voluntários, contou ele, já se depararam com homens que moram dentro de carros, e até mesmo no Aeroporto de Linate, em Milão, "misturando-se aos passageiros, vestidos de terno".
Um dos voluntários, Gianni Villa, de 25 anos, que leva alimentos, roupas e cobertores uma vez por semana às crescentes legiões de desabrigados de Milão, disse que ficou surpreso com a mudança que viu. "Antes, os homens que moravam nas ruas eram vagabundos, pessoas que estavam à deriva ou dependentes de drogas", disse ele. "Hoje é possível encontrar pessoas que moram nas ruas por causa da crise econômica ou de problemas pessoais. Eles não contam que são pais", disse ele, "porque não querem a família saiba".

Franco, de 56 anos, que não quis informar o nome completo para evitar a vergonha de que sua esposa e as duas filhas tomem conhecimento de seus problemas, deixou sua cidade natal, Puglia, em abril, após a falência de sua empresa. Ele viajou a Milão para procurar trabalho, em parte para manter os pagamentos de pensão alimentícia para a esposa, de 34 anos, de quem ele está se divorciando. O casal se separou há cerca de um ano e meio.

"Em Puglia, eu estava vivendo um dia após o outro, mas isso não poderia se sustentar para sempre", disse ele, acrescentando que ainda sustenta as filhas, ambas de 20 e poucos anos, também desempregadas.
Sem lugar onde ficar em Milão desde abril, Franco disse que teve "muita sorte" por conhecer um homem em um McDonald's que lhe deu um cobertor e lhe apresentou "os segredos da vida nas ruas". Não demorou muito até que ele começasse a dormir em uma caixa sob o pórtico em frente à bolsa de valores de Milão.

Desde que foram legalizados neste país tradicionalmente católico, em 1970, os divórcios têm aumentado constantemente. Em 1995, 158 de cada mil casamentos terminaram em separação; 80, em divórcio. Em 2009, o último ano em que foram disponibilizadas estatísticas, os números chegaram a 297 separações e 181 divórcios para cada mil casamentos, segundo a Istat, a agência nacional de estatísticas.
Mesmo que uma lei de 2006 tenha normatizado a guarda conjunta dos filhos como a determinação padrão após a separação dos pais, os tribunais italianos continuam a fazer das mães as principais responsáveis, enquanto os pais suportam o peso financeiro da separação. Críticos dizem que a lei, como é aplicada, favorece as mulheres, cuja participação na força de trabalho cresceu 46,5% no mesmo período. Ainda assim, mais da metade das mulheres separadas também dizem vivenciar um declínio em suas condições econômicas, disse Istat.
Umberto Vaghi, gerente de vendas de Milão que se divorciou no ano passado e se separou da esposa em 2004, por exemplo, foi condenado a pagar 2 mil euros mensais, cerca de US$ 2.440, para a manutenção da casa do e sustento dos filhos, na época com 10 e 8 anos. Vaghi ganhava 2,2 mil euros por mês, cerca de US$ 2.680.

"Eu fui atacado pelo sistema de justiça italiano", disse Vaghi, de 43 anos, membro do conselho do movimento Papa Lombardia Separati, uma organização sem fins lucrativos que auxilia pais solteiros e luta para melhorar a legislação relativa à família na Itália.
"A sociedade está mudando. Com ela, também se alteram os papéis do pai como provedor e da mãe como dona de casa", disse ele. "A legislação deve levar isso em consideração".

Infelizmente, "não existe muita vontade de mudar as coisas", acrescentou. Ele e outros atribuem a resistência, em parte, à influência ainda poderosa da Igreja Católica na Itália, bem como ao fato de que o Parlamento está cheio de advogados que têm pouco interesse na redução de litígios.

Na Espanha, o número de processos judiciais contra pais por falta de pagamento de pensão alimentícia subiu acentuadamente desde o início da crise econômica. Em lugares como Navarra e Galiza, há notícias recentes de pais que foram presos por não sustentarem os filhos. Em abril do ano passado, um juiz de Barcelona se recusou a conceder a custódia parental a um pai divorciado, mencionando o fato de que ele havia perdido o emprego.
A pobreza entre as famílias monoparentais é "um fenômeno em ascensão", disse Raffaella Saso, que escreveu sobre os "novos pobres" – pais separados e famílias monoparentais – para o relatório anual do instituto de pesquisa Eurispes, sediado em Roma.

O número de indivíduos sem-teto também está crescendo. Na Grécia, a instituição de caridade Klimaka estima que o número de desabrigados aumentou em 25% nos últimos dois anos. Em um país onde os laços familiares tradicionalmente fortes geralmente evitavam tais fenômenos, a tendência preocupa. Um terço das pessoas que se registraram como sem-teto era de divorciados ou separados, principalmente homens, segundo estudo publicado em fevereiro pelo Centro Nacional de Pesquisa Social.
Na Itália, as instituições de caridade dizem que há cada vez mais pais separados utilizando cozinhas e dormitórios de igrejas e outras agências. "É uma realidade desconfortável, mas factível, considerando que 80% de pais separados não conseguem se sustentar com o que resta de seu salário", escreveu Saso.

O Reverendo Clemente Moriggi, que supervisiona a instituição de caridade católica Irmãos de São Francisco de Assis, em Milão, disse que no ano passado, pais separados com idades entre 28 a 60 ocuparam 80 das 700 camas dos dormitórios da fundação, que não abrigam crianças. Esse número é mais do que o dobro do registrado poucos anos atrás.

"Esses homens ganhavam salários de valor médio que apenas traziam tristeza, já que eram todos destinados a arcar com dívidas de pensão alimentícia e hipoteca", disse Moriggi. "São eles as pessoas que vêm até nós. Mas a vida familiar não tem como prosperar em uma situação assim. Eles sentem vergonha de encontrar os filhos em estruturas como estas, e isso os faz sofrer, além de abalar os vínculos familiares".

Os administradores locais de cidades grandes, como Milão, Roma e Turim, estão ficando cada vez mais conscientes da crise. Há dois anos, os legisladores do governo provincial de Milão inauguraram um projeto habitacional para pais separados no Colégio Missionário dos Oblatos de Rho, perto de Milão.
Os homens ocupam 15 quartos em uma pousada recentemente remodelada do século XVI, que também atende a turistas e peregrinos. Os alojamentos são os quartos que sobram, mas o cenário requintado, em um parque, é acolhedor para receber crianças.

A cada mês, os clientes pagam 200 euros, cerca de US$ 250, para se hospedarem e terem a ajuda de psicólogos e assistentes sociais. A província, por sua vez, paga duas vezes esse valor na forma de um subsídio.

Fabio, de 51 anos, mora na instalação em Rho desde janeiro do ano passado, quando se separou da esposa com quem tinha sido casado por 15 anos. A ex-mulher mora perto de Milão com o filho, de 13 anos. O salário mensal de 1.200 euros, ou cerca de US$ 1.500, que Fabio ganha como encadernador não dura muito, já que é destinado a pagar a pensão alimentícia e a hipoteca da casa onde a ex-mulher e o filho vivem. Assim, a habitação subsidiada foi um alívio.

Apesar desses momentos difíceis, ele continua otimista. "Espero encontrar um lar, porque não posso ficar aqui para sempre", disse ele.

IG



 

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  • 18/05/2013 às 18:23:49 De morador
    Cidade cornélio
    Para prefeitura
    Se não vão contratar o pessoal do pss então porque fizeram? a população merece um esclarecimento...
  • 18/05/2013 às 08:36:00 De Empresario
    Cidade Cornélio Procópio
    Para Prefeito
    Cade as empresas que o prefeito prometeu trazer para Cornélio?E o frigorifico de peixes?Fala muito,fala muito....
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