Atualizado em 05/02/2012 às 10:37:48


Em aeroporto que mais cresce, falta estacionamento e lugar para sentar

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» Saguão do aeroporto de São José dos Campos

O movimento nos saturados aeroportos das capitais brasileiras cresceu, em média, 16,91% em 2011, segundo dados da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Mas alguns aeroportos regionais cresceram bem mais que isso: São José dos Campos (SP), no Vale do Paraíba, liderou o ranking entre os terminais administrados pela Infraero, com alta de 180,46% em relação ao ano anterior.

Em 2011, o número de passageiros do aeroporto que as companhias aéreas “dividem” com a Embraer chegou a 236.084 – em 2010, haviam sido 84.176. A infraestrutura do local, contudo, preocupa os passageiros. Há poucos lugares para sentar – no saguão, há apenas 16 – e os espaços de check-in, embarque e desembarque não comportam muitas pessoas.

“Para o volume de pessoas o salão do desembarque está bem pequeno, a gente fica amontoado ali tentando pegar a mala”, conta a engenheira civil Sandra, que usa o aeroporto todos os meses. Ela diz ainda que há momentos em que passageiros precisam esperar em pé no saguão, pois não há lugares para sentar. “[Uma colega de trabalho] reclamou comigo isso. Ela disse que ficou um tempão esperando vagar uma cadeira, porque não tinha lugar para sentar, estava lotado”.

O pequeno estacionamento também é motivo de reclamação. “Hoje tivemos que parar o carro lá no fundo, porque o estacionamento é pequeno”, diz a analista de sistemas Valéria Sibelino Siqueira.
O farmacêutico João Vilhena, de 57 anos, e a engenheira química Suzete Vilhena, de 59 anos, também perceberam que o movimento está maior no aeroporto. “Quando há mais de um voo acumulado, a fila do check-in fica grande”, afirmou o farmacêutico.

Os proprietários da lanchonete do local, Gentil Souza Junior, de 38 anos, e Márcia Aparecida de Almeida, de 28 anos, afirmam que já receberam reclamações sobre o pequeno espaço para mesas. “Aqui é muito pequeno, não tem espaço para ampliar”, diz Souza Junior.
Crescimento
Em São José dos Campos, o crescimento acelerado no movimento coincidiu com o início das operações da Azul Linhas Aéreas no local, em outubro de 2010. A empresa entrou trazendo novos destinos – um para Porto Alegre com escala em Curitiba e outro para Brasília com escala em Confins (MG). Antes, as únicas opções eram os voos da Trip, que atua no aeroporto desde 2008, com rotas para o Rio de Janeiro e Varginha (MG), com conexão para Belo Horizonte.

A Azul, no entanto, já reduziu suas atividades no aeroporto. A empresa, que mantinha dois voos diários para cada destino, reduziu para apenas um.

“Tivemos que ser cirúrgicos para utilizar melhor os recursos. A gente está sempre de olho na rentabilidade das rotas. Esse segundo voo não estava tão bom”, explica Gianfranco Beting, diretor de comunicação e marca da companhia aérea.

Segundo a empresa, o aeroporto, por ser pequeno, também não teria infraestrutura para colocar muito mais vôos. Ainda assim, a Azul diz ter solicitado autorização à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorização para iniciar voos diários para Campinas a partir de São José dos Campos.

Investimento e crescimento
Procurada pelo G1, a Infraero admitiu que há necessidade de melhorias no local. De acordo com a estatal, está em planejamento a construção de um módulo para ampliar a capacidade do terminal de passageiros. A obra, porém, depende de acordo com o comando da Aeronáutica, proprietária do aeroporto – a Infraero apenas o administra.

O superintendente de Gestão Operacional da Infraero, Marçal Goulart, afirmou que a estatal não pode fazer grandes investimentos na ampliação da infraestrutura de aeroportos menores que estão sob sua administração antes que eles atinjam certos patamares de utilização. Segundo ele, os aeroportos menores costumam ficar boa parte do tempo ociosos, gerando custos.

“Em aeroporto pequeno, muitas vezes pousam dois ou três voos com diferença de uma hora entre eles e depois o aeroporto fica parado. Ele vira um grande consumidor de dinheiro”, disse Goulart. “A grande preocupação é de criarmos um grande elefante branco”, completou ele.

A estatal informou que investiu em 2011 R$ 1,145 bilhão, volume 77,8% maior do que o aplicado no ano anterior (R$ 644,96 milhões). No aeroporto de São José dos Campos, o investimento caiu de R$ 8,62 milhões em 2010 para R$ 1,85 milhão no ano passado. Assim como em Petrolina (PE), que baixou de R$ 1,45 milhão para R$ 841,2 mil no período.

No aeroporto de Montes Claros (MG), onde o tráfego de passageiros cresceu 85,4% em 2011, a aplicação de recursos aumentou de R$ 630,39 mil em 2010 para R$ 908,33 mil. Isso também ocorreu em Joinville (SC), onde o investimento passou de R$ 2,55 milhões para R$ 2,75 milhões. Na cidade catarinense, houve alta de 67,64% no movimento de passageiros no ano passado.

Goulart diz que o avanço do transporte aéreo nas cidades do interior surpreendeu. De acordo com ele, esse resultado está relacionado ao crescimento da economia do país – com o avanço do poder aquisitivo, a população passou a voar mais – e também à redução no preço das passagens aéreas nos últimos anos, que tornou esse tipo de transporte mais acessível.
Saturação
Professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e especialista em aeroportos, Anderson Correia diz que a expansão do movimento nos aeroportos do interior, acima da média do país, é reflexo também da saturação de aeroportos centrais.

Ele aponta que existe uma tendência de “interiorização” do transporte aéreo no Brasil, mas ela depende de investimentos adequados nos aeroportos menores, especialmente aqueles administrados pelos estados, que hoje sofrem com falta de infraestrutura.

Para isso, diz Correia, o governo precisa aperfeiçoar os projetos de investimento nos aeroportos regionais, aumentando a verba disponível e dando mais flexibilidade para a aplicação dos recursos pelos Estados. Além disso, afirma, é preciso capacitar os Estados para o uso correto da verba.

“As empresas aéreas têm interesse em voar para esses aeroportos menores. Se for feito o investimento correto, vai ter crescimento de demanda, contribuindo para desafogar os aeroportos das capitais e para desenvolver o interior do país”, disse.

G1


 

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